15.8.17

Resenha #x: Os Forasteiros (Deuses e Guerreiros vol.01)

Autora: Michele Paver
Ano: 2014
Páginas: 304
Editora: Intrínseca
Sinopse:O jovem Hylas tem uma vida pacata, pastoreando cabras nas montanhas com a irmã. Até o dia em que homens com armaduras, lanças de bronze e a pele escondida por uma camada escura de cinzas atacam os dois. Hylas escapa, mas a irmã desaparece, e caberá ao irmão encontrá-la tendo como únicos aliados Pirra, a filha rebelde da Sacerdotisa Suprema, e um golfinho chamado Espírito. Para complicar ainda mais, ele está sendo caçado por guerreiros de armaduras negras. Os forasteiros é o primeiro volume da série Deuses e guerreiros, que se passa na Idade do Bronze.

Resenha:
Ahoy!
Apesar da minha promessa de não comprar mais livros até acabar de ler os que tenho em casa, acabei comprando mais essa obra da Paver. Conhecia a autora da série Irmão Lobo (que por sinal é excepcional), então não pude resistir quando vi esse livro por menos de dez reais.
A revisão está boa e a diagramação está linda, com um desenho ao lado do número do capítulo e que tem a ver com ele. As páginas são amareladas e a fonte está boa. A capa é um caso à parte. Maravilhosa, né?
Hylas e sua irmã Issi são dois forasteiros, apesar de não saberem muito o que isso significa, exceto que não nasceram na aldeia e que foram deixados por sua mãe na floresta, então encontrados e postos pra trabalhar pastoreando as cabras em uma montanha.
Um dia, enquanto acampavam e preparavam um esquilo assado, seu acampamento é atacado por homens vestidos de preto, com capas que pareciam asas negras. O cachorro deles, Xô, logo é morto e para evitar um destino semelhante pra sua irmã, Hylas chama atenção para si e foge e o regimento vai atrás.
Esses guerreiros são os Corvos, ou guerreiros da casa de Koronos, que por algum motivo estão caçando todos os forasteiros da Licônia.

"Já fora um menino, mas agora era uma massa horrível, feita de sangue negro e entranhas azuladas e expostas como vermes embolados. Hylas o conhecia. Skiros. Não era seu amigo, mas era pastor como ele: alguns anos mais velho e implacável numa briga"

Apavorado com o destino de sua irmã e com a ajuda de seu melhor amigo, Hylas rouba um bote para dar a volta na cadeia montanhosa do lugar e procurar sua irmã do outro lado, mas acaba sendo atingido por uma tempestade e, além de quase morrer, ainda quase é comido por um tubarão. Mas ele é salvo por Espírito, um golfinho, e seu bando, que chegam brilhando com o fogo azul da Deusa e espantam o tubarão. 

A escrita da Michelle, pra variar, está dívina: fluída e envolvente e você não consegue largar o livro um minuto. Eu sou muito suspeita pra falar, uma vez que sou fã, mas fico impressionada com a carga de pesquisa que cada uma das obras dela levam: desde uma pesquisa histórica, uma vez que o livro se passa na Idade de Bronze, como comportamental, já que ela descreve com perícia o que eu imagino que realmente seriam os pensamentos dos animais. Ela já fez isso com Lobos, em Irmão Lobo, e fez isso agora com Espírito. É sinceramente uma delícia e o ponto alto da obra, para mim que sempre quis ser a Dra. Dolittle, entrar desta maneira na cabeça de um animal.

"O golfinho podia vê-lo na Borda, à deriva em seu pedacinho de árvore, sua nadadeira agarrada àquela horrenda vara. O golfinho tinha medo da vara; já ouvira falar que era mais afiada que os corais. Mas tinha pena do menino."

O enredo em si foi muito bem trançado com o misticismo do Tremeterra (um deus subterrâneo que ao se mexer em seu sono provoca terremotos) e da Senhora das Coisas Selvagens e trazem uma riqueza inimaginável à narrativa. Os personagens são todos ricos e bem construídos, pelo menos por enquanto, e cheios de quinas e máscaras e cantos não revelados que surgem de repente. Hylas em si, por exemplo, é um menino muito valente, inteligente, bastante honesto, apesar dos pequenos furtos que é obrigado a cometer devido à vida dura que leva e mesmo que a lealdade à sua irmã o leve à uma busca frenética, ele ainda assim arruma tempo para se preocupar e cuidar de outras criaturas.

"O leão estava deitado, lutando para respirar, olhando para eles com a paciência do esgotamento; mas, quando derramaram água em seu focinho, já estava muito fraco para engolir.
(...)
Ela observou Hylas deitar a palma da mão sobre o flanco ondulante do leão:
- Fique em paz - disse carinhosamente - Que você encontre um novo e forte corpo... E que não sofra mais.

Enfim, como deu pra perceber o livro é super recomendado. Minha única relação de ódio (e amor) com ele é porque tem cara de série, então já viu: várias coisas ficaram completamente sem explicação nesse volume, enquanto outras foram explicadas. Eu mal posso esperar para conhecer o restante desse mundo e entender o restante da história. 




16.3.17

Resenha de Série #3: Desventuras em Série (primeira temporada)


Dirigida Por: Barry Sonnenfeld, Bo Welch e Marke Palansky
Escrita por:
Daniel Handler e Barry Sonnenfeld
 
Ano: 2017
Elenco: Louis Hynes (Klaus Baudelaire), Malina Weissman (Violet Baudelaire), Presley Smith (Sunny Baudelaire), Neil Patrick Harris (Conde Olaf), Patrick Warburton (Lemony Snicket), Aasif Mandvi (Tio Monty), Alfre Woodard (Tia Josephine), Catherine O'Hara (Dr. Georgina Orwell) e outros.
Filmow



Resenha:
Não acho que Desventuras em Série precise de grandes explicações, uma vez que tem livros e filme já, mas...
A obra criado por Snicket conta as desventuras (que significa falta de sorte ou infortúnio) das crianças Baudelaire, que se vêem orfãs depois que seus pais morrem em um misterioso incêndio. As crianças são: Violet, é a filha mais velha, e também muito inteligente e uma excelente inventora - no início da série ela tem 14 anos; Klaus é um ótimo pesquisador e um leitor voraz e possui 12 anos e Sunny é só um bebê, mas mesmo assim é muito inteligente e adora morder coisas.
Depois da morte dos pais, os irmãos vão passando de uma situação ruim à outra pior, mas sempre - ou na maior parte das vezes - muito unidos.


Eu li até O Lago das Sanguessugas, que é o terceiro livro, e eu confesso isso. Tenho muito interesse em saber o que acontece na vida dos irmãos após isso, mas apesar de ter escrita fluída e fácil de ler, o autor frequentemente faz quebras de narrativa para explicar o significado de determinada palavra - e eu nem estou reclamando de quando ele faz isso para explicar os balbucios de Sunny, mas ele faz isso com qualquer palavra dificil. Odeio essas quebras.
E na adaptação eles fizeram exatamente isso, com o agravante que tem quebras também para falar para o expectador parar de ver, uma vez que a história/acontecimento é especialmente terrível. E foi basicamente isso que eu não gostei na série.


Além do conde Olaf ser representado pelo querido (com a família mais perfeita da internet) do Neil Patrick, eles trazem grandes nomes da sétima arte, como a Alfre Woodard (que faz a tia Josephine) além de terem dado chance para vários atores iniciantes, um trabalho que a Netflix tem feito muito (ah, acho que eu esqueci de comentar que a série era deles!) e com ótimos resultados. Nessa obra em si eles não botaram nada a perder, todos com ótimas atuações.
A primeira temporada foi composta por 8 episódios, sendo dois episódios para cada livro, o que fez com que a série ficasse incrivelmente semelhante aos livros. Pra mim, que fazem alguns anos que li os livros, estão basicamente iguais.


Inclusive, Louis Hynes (Klaus) se baseia nos livros para interpretar seu personagem, seus maneirismos e coisas do gênero. Achei super legal! Ah, achei super querida uma entrevista que li por aí que todos os atores mais experientes deram dicas e ensinaram truques pros menos experientes!
Enfim, se vc leu os livros e não gostou do filme, ou mesmo sem ter lido os livros, pode se jogar sem medo que ficou muito bom! Só tem essa ressalva das interrupções da narrativa, mas isso é bem característico do Snicket e as pessoas que adaptaram para a série só mantiveram isso.
Ah, uma coisa que vale muito a pena por em destaque é o tema de abertura da série, que segue abaixo:



2.3.17

Resenha #x: Histórias Envenenadas (vol. 02)

Autor: Amanda S. Lopes, Andy Azous, Carla Witch Princess, Danilo Pelloso, Douglas Ostruka, Eddy Khaos, Karen Alvares, Lucas Arienti, Lucas Janini, LASlusarki, Marcela Stéphanie, Matheus Gaudard, Patrícia Guimarães, Raphael Redfield
Editora: Andross
Páginas: 96
Ano: 2012
Sinopse: No livro "A Psicanálise dos Contos de Fadas", o psicólogo Bruno Bettelheim afirma que "ao contrário do que acontece em muitas histórias infantis modernas, nos contos de fadas o mal é tão presente quanto a virtude". E ele está certo, pois muitos não sabem que esse tipo de história foi concebido como entretenimento para adultos. Também não imaginam que, em sua forma original, traziam adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Mas não adiantou nada os irmãos Grimm e Charles Perrolt suavizarem essas atrocidades e acrescentado lições de moral em seus escritos, pois, no segundo volume de "Histórias Envenenadas", escritores contemporâneos resgataram todo horror original em releituras de histórias tradicionais ou novos enredos.


Nota: 2/5
Resenha:
A ideia dessa seleção de contos (volume um e dois) é excelente: reescrever os contos de fada como contos macabros e assustadores. Então você imagina: aquelas histórias que nós já conhecemos (João e Maria, Bela Adormecida, Branca de Neve, etc) sendo puxadas pro terror. 
Na verdade há quem diga que os contos de fada antes eram bem macabros, cheios de drogas, assassinatos, pedofilia e etc, mas que com o passar do tempo eles foram ficando mais infantis e tomaram a forma que conhecemos hoje em dia. Inclusive acho que a questão dessa proposta seja retomar um pouco esse espírito, entende?
De uma forma geral eu gosto bastante dessa releitura de histórias bem conhecidas, mesmo que seja em forma de filmes, como tem acontecido bastante. Então, guiada pela curiosidade eu pedi o primeiro volume emprestado pra uma amiga... E cara, muito bom. É claro que eu não gostei de alguns contos e coisa e tal, mas é impossível gostar de todos os contos e autores. De uma forma geral a minha experiência foi bem positiva.
Então, depois de ler (e amar) o volume um eu fui correndo comprar o dois, imaginando que os contos selecionados pela editora seriam da mesma qualidade. Que decepção...Eu não poderia estar mais enganada! 
Quanto falta pra esse livro terminar mesmo?
Posso estar sendo má de dizer isso, mas os contos me lembraram histórias que eu escrevia com 15 anos, pois a escrita não é tão fluida e o vocabulário é repetitivo. Até tramas dos contos foram repetitivas e iguais.
Foi extremamente maçante, de verdade. Tão maçante que eu nem sequer tenho vontade de escrever uma resenha conto por conto. Pretendia fazer isso, de verdade, mas não vai dar certo.
Amigo, assim eu não posso te defender.
Recomendo que leiam o volume Um, mas passem correndo pelo volume Dois.

21.1.17

Resenha #7: Colega de Quarto

Subtítulo: E se seu maior pesadelo ganhasse vida?
Autor: Victor Bonini
Páginas: 280
Ano: 2015
Editora: Faro Editorial
Sinopse:Eric Schatz, carioca que se mudou para São Paulo por conta do curso universitário, começa a perceber indícios de que há mais alguém frequentando o seu apartamento.
Primeiro, um par de chinelos.
Então, uma outra escova de dentes. Um micro-ondas que é ligado sozinho durante a noite, barulhos estranhos a qualquer hora e luzes que se apagam de modo misterioso.
Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente.
Desesperado, o rapaz vai atrás de um detetive particular, mas parece ser tarde demais. Em menos de 24 horas, tudo acontece de modo acelerado e depois de uma ligação desesperada, cortada abruptamente, Eric despenca da janela do seu apartamento.
Em seu livro de estreia, o autor nos apresenta uma história urbana de tirar o fôlego. Um mistério que passa por uma relação familiar complicada, suspeitas por todos os lados, e camadas e camadas de culpados. Há alguém inocente?


Resenha:
A qualidade da revisão e diagramação da Faro está indiscutível. Não encontrei nenhum erro de revisão e as páginas não amareladas e possuem um tamanho de fonte confortável de ler. Além disso, tomou-se cuidado na diagramação para que a mesma parecesse sombria, o que é completamente condizente com o livro, que é dividido em três partes: Loucura, Turvo e Lucidez.
Eric é um carioca que foi estudar em São Paulo e é um típico playboy: só usa roupas de marca, namora uma menina que parece uma modelo, acha que dinheiro compra tudo e vive sozinho num apartamento bem bom, sustentado pelos pais, onde ele tem uma empregada e "estuda" direito.
Então ele começa a perceber coisas estranhas em seu apartamento: uma escova de dente que não era sua, descargas no meio da madrugada, luzes piscando e micro-ondas funcionando sozinho. Ele fica apavorado e começa a achar que está louco, então decide contratar um detetive particular, Conrado Bardelli. Só que ele aparece no escritório do advogado e detetive no meio da madrugada, agitado, agressivo, sem falar coisa com coisa e ainda por cima tenta fazer com que o advogado aceite o caso dele porque ele pode pagar "em dinheiro vivo". Bordelli fica com nojo dessa atitude do playboy e o dispensa... Só que uns dias depois Eric aparece morto. Suicídio, diz a polícia, uma vez que ele morava sozinho e se jogou de uma janela. Só que, será que foi suicídio mesmo?


"Nenhuma das testemunhas até agora apontara o rapaz como um desequilibrado ou alguém capaz de tomar decisões extremas de uma hora para outra - portanto, alguém pouco propício ao suicídio repentino."

Eu enrolei bastante pra ler esse livro, pois eu achei que ele ia focar muuuito mais no susto de ter um colega de quarto do que de fato foca... E como moramos eu e meu gato apenas, deu um medinho. No capítulo 7 ou 8 Eric já não estava mais vivo e o livro tem mais de 80 capítulos. Entende minha desilusão? 


"- Sei. E agora o senhor está ouvindo vozes? – Conrado arriscou, percebendo, ao som de sua própria fala, quão absurda era sua suposição.
- Não, não vozes. Barulhos. Barulhos pelo apartamento, mas também não é só isso. Venho reparando em sinais que supostamente provam que tem mais alguém no apartamento além de mim. Sinais para me deixar louco, só pode ser. Pistas de que tenho um companheiro com quem divido o apartamento."

Porém, de um possível livro sobrenatural, Bonini tirou um livro policial muito bom, especialmente por causa de nosso querido detetive particular, Bardelli, que sem dúvida é pra mim o ponto alto da trama. Ele é um personagem inteligente, cheio de recursos e que tem a capacidade de perceber pequenos detalhes que passaram despercebidos de todo mundo. Aí a gente se vê de volta em algo sobrenatural).

Todos os personagens são muito bem construídos e completamente humanos: cheios de defeitos e qualidades e motivações. Nenhum, nem o porteiro, a empregada ou o síndico parecem simplesmente pincelados, entende? Bonini realmente se dedicou à criação deles.


“– Sempre encarei o suicídio como um desvio de personalidade. Pessoas fracas é que desistem de tudo."

Além disso, a trama toda é bem amarrada e sem pontas soltas e o final é cheio de reviravoltas e me surpreendeu bastante. Eu nunca esperaria que a resposta fosse igual ao que ocorreu nos últimos capítulos.
A leitura é completamente envolvente e fluída e você não quer desgrudar do livro um segundo sequer! É uma mistura de thriller psicológico, mistério policial e sobrenatural não apenas convincente como muito cativante.



19.1.17

Resenha #6: O Oceano no Fim do Caminho

Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 208
Sinopse: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.

Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.


Nota: 5/5
Esse livro foi lido como parte da TBR do Torneio Literário MLV e como livro do mês do IDY
Resenha:
A revisão da obra está excelente e a diagramação também: apesar de simples, possui páginas amareladas e fonte em tamanho razoável, porém acho que poderia ser um pouco maior, pois dependendo da pessoa a leitura pode ser cansativa demais.
O que eu acho mais incrível nas obras do Gaiman, além da escrita simples e fluída, é como ele consegue expressar uma história sensacional em livros pequenos, assim como ele constrói misticismos e cenários riquíssimos.
O personagem-narrador de nossa história é um homem de meia-idade que volta à sua cidade de infância para um velório e, perdido em pensamentos, acaba dirigindo até sua antiga casa e consequentemente até a beira de um lago na fazenda de sua antiga amiga, Lettie Hempstock, onde se senta e começa a relembrar de sua infância.

"Para onde ela foi? Estados Unidos? Não, Austrália. Era isso. Algum lugar bem longe.
E não era mar. Era Oceano.
O oceano de Lettie Hempstock.
Lembrei-me disso, e, ao lembrar, lembrei-me de tudo."

O personagem (que não é dito o nome) teve uma infância solitária e mergulhada em livros. Tão solitária que ninguém foi em sua festa de aniversário de sete anos. E perdeu seu gatinho e maior companheiro, atropelado por alguém que adotou seu quartinho no topo da escada, depois que a situação financeira de sua família se deteriorou.
Aí esse hóspede morre e quando ele acha que as coisas não poderiam ficar piores... Surge Ursula Monkton para ser babá dele e de sua irmãzinha, só que ela é um monstro (que foi pra casa dele em um buraco no pé dele) e praticamente só ele consegue ver isso.

"Nos sonhos eu também falava aquela língua, a língua original, e tinha domínio sobre a natureza e tudo o que era real. No meu sonho, aquela era a língua do que é, e tudo que fosse falado nela se tornava realidade, porque nada dito com ela podia ser mentira. A língua é o fundamento da construção de tudo."

É sobretudo um livro melancólico, em que você não consegue separar o que é realidade e o que é imaginação de criança, como na maior parte dos livros do autor.
Lettie Hempstock e sua família só de mulheres é um quadro (riquíssimo) à parte e são, sem sombra de dúvidas, as melhores personagens do livro. Eu formei uma teoria sobre elas, mas que eu não posso dizer aqui porque pode ser um spoiler. Todas elas são mulheres fortes, independentes e queridas, cada qual a seu modo.
É um livro pra se mergulhar sem medo, sempre tomando cuidado com os reflexos, falsas profundidades e correntezas traiçoeiras,  como um oceano, porque você pode se enganar.
Super recomendado! 

"Senti a água fresca em meu pé, não fria. Coloquei o outro e submergi, como uma estátua de mármore, e as ondas do oceano de Lettie Hempstock se fecharam sobre minha cabeça."


18.1.17

Parceria: André Souto

Oi, pessoal!!!
Temos mais uma parceria!!
Smiley face
We are on fire, b!

O novo parceiro se chama André Souto, eis aqui uma breve biografia:
André Souto nasceu em 1982 em Minas Gerais. Com formação em Geografia e Direito, diplomou-se Mestre em Geotecnia pela Escola de Engenharia Civil da UFG. Atua como servidor público do Judiciário Federal e professor universitário. Morou em algumas regiões do Brasil antes de retornar à Brasília, palco de seus textos, que envolvem subgêneros da literatura policial em um ritmo moderno e instigante que deram origem às obras Ossos do Clima Cubos de Marfim, terceiro lugar e menção honrosa do Prêmio Literário e Audiovisual Mark Wertz.
André vai publicar seu primeiro livro físico, Ossos do Clima, pela editora Arwen (que sempre dá muita força pros autores iniciantes, né?) e a pré-venda vai continuar até dia 31 de Janeiro. Você pode comprar seu exemplar aqui.
Sinopse:  
"O misterioso desaparecimento de um renomado cientista, um incêndio criminoso, um roubo que deu errado e as mortes inexplicáveis de diferentes pesquisadores ao redor do mundo.
Aparentemente nenhum desses fatos está relacionado, mas com o desenrolar da história fica evidente cada pequena conexão. Algumas nem tão pequenas assim.
Entre inúmeras perguntas sem respostas e enigmas que parecem insolúveis acontece, em Brasília, a Cúpula Mundial do Clima, pano de fundo para tramas políticas que podem mexer com algumas das mais íntimas certezas dos protagonistas da trama, assassinatos e uma caçada pelas pessoas que podem mudar a nova ordem mundial.
Junte-se a Alice Gianne e Amilton Vidal para tentar desvendar esse mistério e entender quais são os Ossos do Clima."

Parece muito massa, né?
O André já me enviou os primeiros capítulos e eu pretendo postar minhas primeiras impressões semana que vem, se tudo sair como planejado.

E eu já disse isso no facebook, mas obrigada pela confiança, de coração. Espero que essa parceria seja super proveitosa para todos nós!

Inté.

15.1.17

Resenha #5: O Mundo Pelos Olhos de Bob

Título: O Mundo Pelos Olhos de Bob
Autor: James Bowen
Editora: Novo Conceito
Páginas: 222
Ano: 2014
Sinopse: Depois de um passado difícil, James foi adotado pelo gato Bob. Agora os dois têm um emprego de verdade (são vendedores ambulantes de revistas) e se tornaram personalidades conhecidas em toda Londres. Bob tem muitos admiradores, que passam todos os dias para vê-lo – alguns deles trazem cachecóis de lã para ajudá-lo a enfrentar os dias mais gelados. Entre truques adoráveis e manhãs de puro mau humor, Bob e James se tornam cada vez mais inseparáveis. Por trás da divertida história de um homem às voltas com seu animal de estimação, o segundo livro de James Bowen fala sobre amizade e esperança. Bob se torna a chave que traz James de volta ao mundo, a motivação que faltava para sua decisiva volta por cima. Impossível terminar de ler O mundo pelos olhos de Bob sem querer abraçar seu pet – ou adotar um! Apaixone-se...

Nota: 5/5
Resenha:
A qualidade da edição está impecável, pra variar. As folhas são amareladas e grossas e a Novo Conceito teve a delicadesa de colocar essas "sombras de pata de gato" (a.k.a. patas vetoriais de felino) em todas as páginas, perto do número desta e em todos os inícios de capítulo.
Se em Um Gato de Rua Chamado Bob eu ri e me diverti horrores (ao mesmo tempo em que eu me indignava pelas coisas que o James passou), nesse próximo livro eu me emocionei. Profundamente.
Não é uma emoção triste, como no primeiro livro, onde eu sofri por empatia, pensando em tudo de ruim que aconteceu com os dois e todo o sofrimento desnecessário. Mas eu me emocionei pela descrição de como foi a escalada ‘de volta à sociedade’, de ambos.
Teve uma cena, em especial, que me trouxe lágrimas aos olhos: James havia recém lançado o seu primeiro livro e marcou uma tarde de autógrafos. Ele estava nervoso e achava que ninguém ia...Só que, ao descer para o térreo da livraria para começar os autógrafos, ele percebeu que muita gente havia comparecido. A fila dobrava a esquina. E ele se emocionou, até achou que era mentira...hehe
James: "Mentira que todas as pessoas vieram ver a mim e ao Bob!"
Este volume é recheado de relatos assim, todos profundos e cheios de emoção (seja assombro, alegria, tristeza, surpresa). Ele continua nos mostrando que uma coisa simples, como um gatinho, pode mudar a vida da pessoa. Muda pelo simples fato de ter alguém que precisa da gente e está sempre presente quando somos nós quem precisamos de carinho.
Sei que muita gente acha o comportamento do Bob aberrante e que gatos não são assim e que eles são distantes e chatos e maus e transmitem doenças e não se ligam a humanos e etc, etc. (os ‘e’ em excesso foram pra enfatizar, hehe). Mas quem teve gatos alguma vez na vida sabe que isso é uma mentira. Todos os meus gatos estiveram lá pra mim de alguma maneira, quando eu precisei. Não digo que o Bob não é especial, só estou aproveitando o espaço pra quebrar um mito hehe.
É um livro muito humano, simples e emocionante. Simples e humilde como James e Bob, comovente como suas histórias. É uma biografia sensacional. Me senti sentada numa mesa bebendo café, enquanto fazia carinho no Bob e James me contava sua vida.
Vocês parem de brincar com meus sentimentos
Está muito mais do que recomendado. Virei fã!
Abraços e votos de felicidade do Brasil, pros dois. Que a vida deles continue melhorando e que todos os que precisarem (humanos e animais) achem alguém que se importa e consigam mudar de vida.